20.1.03

Aí embaixo estão alguns emails que recebi. Durante um ano e meio de coluna no Digestivo (mal saí, já sinto falta daquelas briguinhas), devo ter recebido uma boa centena de mensagens com xingamentos, palavrões etc. Selecionei os que ao menos eram interessantes por razões de grotesquerie. Mas não vou atualizar mais. Me dá preguiça.


Alexandre Soares Silva






*********************************************************************************************************************************************************




"Finalmente estás a levar as pancadas que sempre fizestes por merecer dos teus "leitores". Há muito que acompanho a arrogância com que cospes nomes de autores e livros nas tuas colunas aqui no Digestivo."- Raphael, 02/12/02, a propósito do texto Polêmicas. (Mas na verdade ele confundiu os comentários inventados do texto com comentários reais).

Um outro leitor, lendo o mesmo texto, mandou um email acusando Oscar Wilde (que suspeito que ele achou que era eu) de reacionário, "por causa do uso da palavra criadagem".

*****************************
Bom, o próprio Millôr tornou isso público, então reproduzo aqui embaixo o email dele. Primeiro coloco a mensagem que um certo Renato Almeida enviou ao Millôr:

"Millôr: nas últimas semanas rolou no endereço Digestivo Cultural um "debate" interessantíssimo sobre Paulo Francis. Um bando de esnobes apropriou-se da oratória do Francis para divulgar as idéias mais toscas, agressivas e disparatadas. O colunista Alexandre Soares Silva, por exemplo, diz que "os fuscas e os mavericks [dos anos 70] enfeiavam mais a orla de Ipanema do que todos os prédios atuais juntos", donde se conclui que a especulação imobiliária é menos nociva que os mavericks e os fuscas. Além disso, Alexandre Soares Silva cita um outro rapaz de quem é fã (e que também é fã do Francis), o bloguer Rafael Azevedo. Este, no endereço blogspot opina que as divergências do "ocidente civilizado" com o oriente deveriam ser resolvidas através de uma "limpeza" étnica e mais "uma bomba nuclear em cada capital desses caras". Para quem ia votar no Lula, Rafael Azevedo prometia "um murro nos dentes". Para os magistrados, Rafael Azevedo propõe a guilhotina (ou ainda que sejam "pendurados de ponta cabeça numa árvore"). Para os fãs do filme "Cidade de Deus", promete-se "um murro no meio da boca, e um chute entre as pernas." Para o responsável pelo endereço blogspot as pessoas "mais repulsivas" do mundo são advogados e defensores dos direitos humanos; estes são "a escória do universo". Sobre a democracia, "Thank God I'm outta here!". Além disso, o referido bloguer é contra TODOS os advogados. É a truculência on-line e que, estranhamente, toma Paulo Francis como mentor. Todos acreditam-se bafejados pelas musas e que Francis os respeitaria como escritores. Uma piada.
Renato Almeida, São Paulo-SP"

A rather literal-minded young chap. Esse Renato Almeida, vocês verão abaixo, é o mesmo que me mandou uma mensagem dizendo que tinha odiado o meu livro - prova suficiente de malcaratice! - e assinou Renato Ameida no cabeçalho da mensagem. Às vezes me parece que acertar o próprio nome é o mínimo que se pode pedir de alguém que escreve nos xingando . Lembro que no Digestivo eu recomendei a ele (dando link e tudo) que lesse algo mais fácil, como "O Caminho das Borboletas", de Adriane Galisteu. Ele não agradeceu a sugestão de leitura . Então recomendei a leitura de "Dislexia, Disortografia e Disgrafia", de Rosa Maria Torres e Pilar Fernandez. Inexplicavelmente furioso, ele mandou o email acima para o Millôr - que, não estando num de seus melhores dias, respondeu:

"Dei uma olhada no Blog que você chama de esnobes. Você é um rapaz delicado, Renato Almeida. Mas há um tipo de pessoa - jornalista, digo - que você deve ler sempre, porque estão "por dentro" do pior. São do ramo. Conselho melhor: leia coisas antigas, aleatórias, e vá à praia. Abração, sobretudo pela solidariedade pra com o Francis, de outro ramo e outras galáxia. Millôr"

Concluí daí que o Rafael é "o pior", e eu sou do ramo do pior, maligno. Bom, maligno ele não disse, propriamente, mas eu me lisonjeio achando que sim.

Quanto ao desejo do Rafael - de pendurar todos os advogados de cabeça pra baixo numa árvore - não é universal? Ué, achei que era. Estou chocado. Mencken:

"All the extravagance and incompetence of our present Government is due, in the main, to lawyers, and, in part at least, to good ones. They are responsible for nine-tenths of the useless and vicious laws that now clutter the statute-books, and for all the evils that go with the vain attempt to enforce them. Every Federal judge is a lawyer. So are most Congressmen. Every invasion of the plain rights of the citizens has a lawyer behind it. If all lawyers were hanged tomorrow, and their bones sold to a mah jong factory, we'd be freer and safer, and our taxes would be reduced by almost a half."
–H.L. Mencken (1880-1956), "Breathing Space", The Baltimore Evening Sun, 1924 Aug 4. Reprinted in A Carnival of Buncombe.

Mas aparentemente Mencken era do mal também. Tenho a impressão que não jogaria frescobol com o Millôr.


PS: Sobre o texto "Filhos de Francis", ainda espero que me enviem uma lista de blogs de esquerda que sejam bons. Sentado espero sonhando. (Outra coisa: percebam a delicadeza com que deixei de comentar blog esnobes e outras galáxia. Percebam, percebam.)



19/02/03 - Mandei um email ao Millôr perguntando se ele estava querendo se promover às minhas custas (mas até agora ele não respondeu).

**********************
"Lixo, puro lixo não reciclável, é o que é essa sua coluninha." - Mônica, 13/01/03, a propósito do texto Filhos de Francis.

28.12.02

"O inferno precisa de pessoas como Paulo Francis, como você. Por quê não fazer-lhe uma visitinha?" - Paulino Michelazzo , 24/12/02

27.12.02

"Na esteira do pedantismo do artigo de Alexandre Soares Silva o que eu não paro de ver são pessoas irritadas e chocadas com o que pensam ele e seus amiguinhos." - Alexandre Maron, 25/12/02, neste blog, a propósito do texto Filhos de Francis.

"Eu nem me dei ao trabalho de ler o texto completo. Quando alguém escreve uma coisa dizendo "eu sou mais inteligente que você" eu desisto. O triste, porém, é ver que cai a minha inocência de achar que as pessoas da minha faixa etária, que cresceram vivenciando e lendo mais ou menos as mesmas coisas que eu — pessoas que passaram pelos mesmos eventos globais que eu passei — pensem diametralmente diferente do que eu penso." - Cris Dias (sim, é muito triste, Cris), 22/12/02, neste blog, a propósito do texto Filhos de Francis.
"Um caso clássico de inteligência voltada para o mal."
"Quando eu leio esses textos, entendo porque o mundo está tão escroto. Com gente que realmente pensa assim, se acha esperta e superior assim, estamos todos em maus lençóis." - Alexandre Maron, neste blog, 21/12/02, a propósito do texto Filhos de Francis.

"Sinto pena de você, meu caro. A vida é bem melhor com as diferenças. Graças a elas, temos pessoas de todos os tipos, e desta diversidade vem a grande riqueza e a grande maravilha da vida. Já pensou se fossem todos pasteurizados e certinhos como você? Que horror! Ainda bem que existem pessoas que por necessidade trafegam de pickups. Ainda bem que existem pessoas preocupadas em manter o carro limpo. Ainda bem que existem professores de cursinho engraçadinhos, que através de suas graças fizeram com que eu me lembrasse de uma resposta importante na hora da prova. Ainda bem que existem e existiram e ainda existirão, que na sua classificação serão vulgares, mas que talvez sejam muito mais felizes em sua vulgaridade, do que você que passa o tempo a observar e lamentar a vulgaridade dos outros, sabe-se lá com que sórdido propósito." - Bentim, 12/11/2001, a propósito do texto Sinais de Vulgaridade.
"A resposta dada ao Raphael foi clara porém pernóstica e digna de um rábula pela visão de um leitor amador como eu. Uma coisa que considero vulgar é ficar citando frases de autores famosos como Flaubert e Nabokov, se não me engano a caras também faz isso. Sim, eu já lí caras, e daí, estava no dentista." - Ricardo Larroudé (que depois diz algumas coisas simpáticas), 11/11/2001, a propósito do texto Sinais de Vulgaridade.
"Que mau humor, hein, tche !"- João Batista Gartner, 11/11/2001, a propósito do texto Sinais de Vulgaridade.
"Ele se auto-denomina um gênio dos bloguers, mas, afinal, o que é um blog? Ele se auto-denomina um gênio da escritura, mas seu livro "A coisa que era deus" é ilegível, por um pedantismo e falta de foco que tenta se safar na basede "referências" a isso e aquilo e, aliás, são tantas as referências "cultas" que podemos parafrasear Franz Paul Heilborn, vulgo Paulo Francis: "O livro é uma merda, mas o autor é genial"". (...) "Aí, diretoria do Digestivo Cultural: o Alexandre Soares não tem nível para realizar as propostas a que se propõem! O sujeito é uma farsa. E, com colaboradores deste nível, a fama deste Digestivo vai na mesma toada." - Renato Almeida (que escreveu Ameida), 25/11/2002, a propósito do texto Filhos de Francis.

"Parece que a estratégia de escrever artigos polêmicos continua funcionando. Até quando? Só que desta vez o intelectualoide escreveu asneiras demais." - Antonio Castellane, 16/11/2002, a propósito do texto Filhos de Francis.



(Esse mesmo Antônio Castellane ficou conhecido durante algum tempo pelos leitores do Digestivo, pelo costume que tinha de mandar emails não-assinados com palavrões, e fotos dele mesmo de calças arriadas. Mas me vinguei dele no texto Antologia dos Poetas Feios, que foi publicado no terceiro número do Vertigem, o suplemento de cultura do jornal Folha do Espírito Santo editado pelo Bruno Garschagen)









******************
Gostaram deste pequeno passeio pelo Zoológico do Dr. Alexandre? Só um aviso: é expressamente proibido alimentar o Renato Almeida. E cuidado, sobretudo muito cuidado, ao chegar perto da jaula do Castellane. Voltem sempre! Tragam os guris!